Cleo afirma que a canção surgiu em uma nova leva de ideias para seu
álbum, que estava sendo planejado há dois anos. “Durante a pandemia
outros processos de autoconhecimento acabaram se revelando para mim e eu
quis mudar muita coisa”, explica.
Ela diz que a música veio para falar de renascimento, mas de uma
forma “divertida e um pouco sombria também”. A artista conta que a
escolha para as parcerias com Conká e Azzy foram certeiras, para
apresentar a representatividade e falar sobre o poder feminino.
“Queríamos falar sobre as várias facetas que temos
dentro da gente, que como mulher é muito difícil conseguir viver elas”,
completa Cleo. Conká completa que na letra conseguiu “colocar para fora
algumas coisas que eu ainda não tinha colocado”, comenta. “Vejo uma
união de forças [nesse trabalho].”
Azzy, que já participou da série “As Five” (Globo), completa que a
canção funciona como uma válvula de escape. “Encontramos uma forma de
colocar toda essa opressão que sofremos no meio musical e na vida em
música”, afirma. “Estou ficando expert em transformar dor em arte, e
isso está sendo uma libertação para mim”, completa Conká.
Além disso, o projeto traz batidas de funk e rap, com uma letra
impactante, algo já presente em outros lançamentos musicais da artista
como “Queima” (2019) e “Bandida” (2018). Cleo estava afastada do mercado
fonográfico desde outubro de 2020, quando fez uma participação na
música “Você é do mal”, da banda As Baías.
A atriz reforça que o rap “é uma referência da minha vida”. Para
ela, é importante poder mostrar mais dessas referências em seu trabalho,
apesar de seus primeiros lançamentos já terem referências de músicas
eletrônicas e também do hip-hop.
O clipe também traz esse ar sombrio e Cleo relembra que apesar do
resultado, não foi tarefa fácil. “Foi uma diária de 19 horas”, explica.
A atriz afirma que no vídeo é possível ver os estilos diferentes das
três, que estão em um ambiente totalmente medieval.
Ela conta que quis trazer esse ar medieval para falar sobre a
falta de voz que as mulheres tinham e ainda têm. “O maior ápice de ser
calada foi a Caça às Bruxas. É um tema recorrente para mim, além de ser
muito rico”, completa ela. Na produção, as artistas aparecem vestidas
como bruxas, mas de uma forma lúdica, como descreve Cleo.
Por fim, a artista afirma que precisou ser fiel aos seus
processos para cravar esse retorno ao lançamento de músicas. “Até chegar
no resultado tentar fazer cada passo muito bem dado”, completa. “Achei
mais importante formar um álbum e pensar em um primeiro single que fosse
sair com tudo.”