- 04/01/2018 11h34
- São Paulo
Ludmilla Souza - Repórter da Agência Brasil
Pesquisadores
da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP),
identificaram seis espécies de bactérias com potencial para serem usadas
como biolarvicidas [agente natural que destrói larvas] no combate ao
mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças como dengue, Zika, febre amarela e chikungunya.
Dados
preliminares da pesquisa, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado de São Paulo (Fapesp), mostraram que as espécies bacterianas
podem matar até 90% das larvas. “Isolamos cerca de 30 diferentes
bactérias encontradas no intestino de mosquitos coletados em Botucatu e
as colocamos, uma a uma, em contato com as larvas desses insetos.
Observamos em seis espécies bacterianas a capacidade de matar entre 60% e
90% das larvas, dependendo do isolado, em até 48 horas”, explicou o
coordenador do Laboratório de Genômica Funcional & Microbiologia de
Vetores (Vectomics) do Instituto de Biotecnologia (IBTEC), Jayme
Souza-Neto.
Segundo o pesquisador, serão necessários novos
estudos para caracterizar melhor o potencial larvicida dos
microrganismos; avaliar as concentrações necessárias para que a ação
ocorra; o período mínimo de exposição e o tempo que as bactérias
permanecem ativas, entre outros fatores.
“O estudo ainda está em
fase inicial. No futuro, também pretendemos isolar alguns produtos
liberados por essas bactérias no meio para entender como ocorre a ação
larvicida”, disse Jayme Souza-Neto, também professor da Faculdade de
Ciências Agronômicas da Unesp.
Trabalhos anteriores do grupo de pesquisadores liderado por Souza-Neto haviam mostrado que o Aedes encontrado
em Botucatu é menos suscetível à infecção pelo vírus da dengue do que
insetos oriundos das cidades de Neópolis (SE) e Campo Grande (MS),
locais onde a incidência da doença é maior.
Após alimentar os
mosquitos em laboratório com sangue contaminado com o sorotipo 4 do
vírus, o grupo observou que apenas 30% dos insetos coletados no interior
paulista se contaminavam, enquanto o índice ficava entre 70% e 80% nas
populações das outras duas cidades.
Por meio de técnicas de
sequenciamento de genes em larga escala, o grupo identificou as espécies
bacterianas que colonizavam o intestino dos insetos e observou que o
microbioma presente nos grupos mais e menos suscetíveis era
completamente diferente.
“Começamos então a investigar o
potencial dessa microbiota intestinal de atuar como biolarvicida e
também como antiviral. Nesse segundo tipo de ensaio, colocamos as
bactérias ou os produtos por elas liberados em contato com o vírus da
dengue e observamos se o patógeno perde a capacidade de infectar
células”, explicou o pesquisador.
Segundo Souza-Neto, o mesmo
tipo de ensaio será feito com o vírus Zika em breve. “Se conseguirmos
identificar uma bactéria capaz de neutralizar esses patógenos, ela será
uma potencial fonte para novos fármacos”, disse.
Edição: Fernando Fraga
Fonte: Agência Brasil
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