- 05/01/2018 14h08
- Brasília
Alex Rodrigues -- Repórter da Agência Brasil
O
serviço de inteligência de Goiás tinha conhecimento de que presos
planejavam deflagrar rebeliões em ao menos 20 unidades prisionais
estaduais a partir do fim do ano passado e comunicou o fato à Secretaria
de Segurança Pública e demais autoridades estaduais da área. A
informação foi divulgada hoje (5) pelo secretário de Segurança Pública
de Goiás, Ricardo Balestreri.
O secretário lamentou que as forças de segurança não tenham conseguido evitar as três rebeliões
registradas esta semana no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia,
onde nove detentos foram mortos e 14 feridos na última segunda-feira
(1). Ele afirmou, no entato, que o momento é também de “júbilo”, já que
as polícias Militar e Civil conseguiram evitar “problemas maiores”,
frustrando os planos iniciais dos criminosos.
“Tínhamos anúncio
da orquestração de em torno de 20 rebeliões em [unidades prisionais de]
Goiás. Conseguimos evitar quase todas elas. Tivemos problemas em uma. O
que não retira o caráter de gravidade do fenômemo”, declarou Balestreri
ao classificar os problemas do sistema prisional, como superlotação,
estrutura precária, lentidão na análise de processos de presos e
presença de organizações criminosas, como “o maior drama nacional
atual”.
“As prisões do país inteiro são o calcanhar de Aquiles do
nosso sistema de segurança pública e Judiciário, mas o que ocorre hoje
nos presídios de todo o Brasil, inclusive em Goiás, é fruto da disputa
por mercados [ilícitos]”, disse o secretário estadual, citando o
venezuelano Moisés Naím, um dos maiores especialistas mundiais no
assunto e para quem o crime organizado é, hoje, a atividade mais
lucrativa do mundo.
“O
fenômeno que vivemos em Goiás, esta semana, não é avulso, nem
ocasional. É um ataque orquestrado [por uma organização criminosa]
contra dois de seus oponentes: uma facção rival e o Estado, que
atrapalha seus negócios. Essa é uma luta por mercados; por negócios
[ilícitos]”, acrescentou o secretário.
Balestreri assumiu a Secretaria de Segurança de Goiás em fevereiro de 2017, um dia após um confronto
entre detentos da Penitenciária Odenir Guimarães, que funciona no mesmo
Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, deixar pelo menos cinco
mortos e 35 feridos.
“Goiás tem sido alvo de uma intensa operação do crime organizado. O Brasil é um player
fundamental para o crime organizado [global] e o estado é central para
as facções criminosas, seja por sua localização central – o que facilita
a distribuição de drogas e armas para outras localidades –, seja pela
sua proximidade com o Distrito Federal, onde, obviamente, o crime
organizado tem grandes negócios”, acrescentou o secretário estadual,
cobrando uma maior colaboração do governo federal.
“Não é querer
jogar o abacaxi para o colo de outros, mas a administração do problema,
que hoje é fica exclusivamente sob a responsabilidade dos estados,
deveria ser compartilhada. Por exemplo, os presos do narcotráfico; do
contrabando, deveriam ser presos federais”, defendeu Balestreri,
acompanhando o governador goiano, Marconi Perillo, nas reivindicações ao
governo federal.
Manifesto de governadores
Ontem, governadores de sete unidades federativas brasileiras divulgaram um manifesto
cobrando que o governo federal destine mais recursos à segurança
pública. No documento divulgado pela assessoria do governo de Goiás, os
chefes do Executivo do Distrito Federal, de Goiás, do Maranhão, de Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e do Tocantins afirmam que o setor,
“particularmente no sistema penitenciário, exige a tomada de
providências urgentes por parte do governo federal” e propõe uma série
de medidas, como o descontingenciamento de recursos financeiros do Fundo
Penitenciário Nacional (Funpen), a aprovação de leis mais rígidas para a
penalização de crimes e a criação de um Fundo Nacional de Segurança
Pública.
A Agência Brasil aguarda retorno do Ministério da Justiça sobre o documento dos governadores.
Balestreri
deu as declarações ao dar posse, na manhã de hoje, ao diretor-geral de
Administração Penitenciária, coronel Edson Costa. A diretoria foi criada
ontem (4), a partir do desmembramento da Secretaria de Segurança
Pública, que respondia pela gestão das unidades prisionais por meio da
extinta Superintendência Executiva de Administração Penitenciária. A
Diretoria-Geral terá autonomia administrativa, orçamentária e
financeira.
Edição: Juliana Andrade
Fonte: Agência Brasil
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