Alex Rodrigues/Agência Brasil
| Reprodução/Facebook |
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| Marcondes Namblá, da etnia Xokleng |
Um índio da etnia Xokleng foi assassinado a pauladas na cidade de
Penha, a menos de 40 quilômetros de Balneário Camboriú, no litoral norte
de Santa Catarina. Embora o crime tenha ocorrido na primeira madrugada
do ano, só veio a público nesta quarta-feira (3), quando imagens
registradas por câmeras de segurança foram divulgadas e várias entidades
passaram a cobrar o esclarecimento do caso e punição do assassino.
Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a vítima é
Marcondes Namblá, um professor que dava aulas em uma escola indígena do
município de José Boiteux, no Vale do Itajaí.
Formado pelo curso de licenciatura intercultural indígena da
Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc), Marcondes era
identificado como uma das lideranças de sua comunidade, atuando para
preservar a língua Laklãnõ-Xokleng.
Índio vendia picolé nas férias
Ele aproveitava o período de férias escolares para vender picolé em
Penha, destino turístico bastante procurado nesta época do ano. As
imagens registradas por câmeras de segurança instaladas próximas ao
local da ocorrência exibem o momento em que o professor é abordado por
um homem portando um pedaço de pau.
Marcondes aparece próximo a uma esquina, com uma das mãos apoiadas
contra um poste de sinalização. O desconhecido parece falar algo ao
índio, que não esboça qualquer reação. Subitamente, o homem desfere uma
primeira paulada contra a cabeça do professor, que cai no chão e
continua sendo agredido. O homem ameaça deixar o local, mas retorna e
volta a agredir o indígena após perceber que ele ainda se mexia.
Encontrado desacordado e com suspeita de traumatismo craniano, o
índio foi levado pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Marieta Konder
Bornhaunsen, em Itajaí, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. A
reportagem da Agência Brasil não conseguiu contato com as assessorias do
Corpo de Bombeiros e do hospital.
Cimi denuncia onda de intolerância contra indígenas
Em nota, o Cimi pediu agilidade nas investigações, alertando para o
que classifica como uma “onda de intolerância contra indígenas no
litoral de Santa Catarina”, para onde grupos de índios costumam se
deslocar durante o verão a fim de vender seus produtos, especialmente o
artesanato.
Para a entidade indigenista, o Ministério Público Federal (MPF), a
Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério da Justiça e a
Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) devem procurar “ampliar o
diálogo com as autoridades municipais - especialmente as situadas no
litoral – para que acolham com respeito os indígenas e lhes resguardem o
direito de ir e vir, de frequentar as praias e de percorrer avenidas,
ruas e estradas”.
Também em nota, o Núcleo de Estudos de Povos Indígenas (Nepi), da
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), manifestou “profundo
pesar” pelo “assassinato cruel” do professor indígena.
Para os membros do núcleo universitário, “Marcondes fazia parte de
uma geração que vislumbrou na universidade um lugar para compreender
melhor as dinâmicas políticas, econômicas e sociais que, ao longo da
história, atingiram seu povo de forma injusta e sangrenta”.
Cimi e Nepi manifestam, em suas notas, que o assassinato de Marcondes
- um ano após uma criança kaingang de apenas dois anos de idade ser
degolada por um desconhecido nos braços da própria mãe, em Imbituba, em
Santa Catarina – decorre do contexto de intolerância étnica e
anti-indígena no estado. “A violência aos povos indígenas é sistemática,
diária, individual e coletiva”, sustenta o Nepi.Fonte: JCNET

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