Presidente fez pronunciamento no Palácio do Planalto
Publicado em 24/04/2020 - 19:12
Por Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência Brasil - Brasília
Atualizado em 24/04/2020 - 19:33
O presidente Jair
Bolsonaro fez um pronunciamento na tarde desta sexta-feira (24), no
Palácio do Planalto, para rebater as acusações feitas pelo ex-ministro
Sergio Moro, que anunciou sua demissão do Ministério da Justiça mais cedo.
Acompanhado de seus ministros, Bolsonaro falou durante 46 minutos e
negou que tenha pedido para o então ministro interferir em investigações
da Polícia Federal (PF).
"Não são verdadeiras as insinuações de que
desejaria saber sobre as investigações em andamento. Nos quase 16 meses
em que esteve à frente do Ministério da Justiça, o senhor Sergio Moro
sabe que jamais lhe procurei para interferir nas investigações que
estavam sendo realizadas, a não ser aquelas, não via interferência, mas
quase como uma súplica, sobre o Adélio [Bispo], o porteiro, e meu filho
04 [Jair Renan]", afirmou o presidente, em uma referência às
investigações sobre a tentativa de assassinato contra ele na campanha
eleitoral de 2018 e às investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro
sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, também em 2018.
Bolsonaro citou a lei n° 13.047 de 2014 para destacar que tem a
prerrogativa de nomear e exonerar o diretor-geral da PF.
"Falava-se em interferência minha na Polícia
Federal. Ora bolas, se eu posso trocar o ministro, por que eu não
posso, de acordo com a lei, trocar o diretor da Polícia Federal? Eu não
tenho que pedir autorização para ninguém para trocar o diretor ou
qualquer um outro que esteja na pirâmide hierárquica do Poder Executivo.
Será que é interferir na PF quase que exigir, implorar [a] Sergio Moro
que apure quem mandou matar Jair Bolsonaro? A PF de Sergio Moro mais se
preocupou com Marielle [Franco, vereadora assassinada] do que seu chefe
supremo? Cobrei muito dele isso daí, [mas] não interferi", afirmou. O
diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, nome indicado por Sergio Moro, foi exonerado do cargo nesta sexta-feira.
O decreto de exoneração de Moro do cargo de ministro foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União,
no final da tarde de hoje. Em um pronunciamento pela manhã para
anunciar que deixaria o governo, Sergio Moro afirmou que Bolsonaro
queria colocar alguém de sua própria confiança na direção da PF.
"Me disse, mais de uma vez, expressamente, que queria ter [na
direção-geral da PF] uma pessoa do contato pessoal dele, para quem ele
pudesse ligar, colher informações, que pudesse colher relatórios de
inteligência. Este, realmente, não é o papel da PF”, afirmou Moro.
Jair Bolsonaro disse, em seu pronunciamento,
que, como presidente, tem o direito de se dirigir diretamente a outros
funcionários do governo federal, inclusive subordinados de seus
ministros. "O dia que eu tiver que me submeter a qualquer funcionário
meu, eu deixarei de ser presidente da República. Falei para que ele que
quero um delegado [...] que eu possa interagir com ele. Por que não? Eu
interajo com os órgãos de inteligência das Forças Armadas, eu interajo
com a Abin [Agência Brasileira de inteligência], interajo com qualquer
um do governo. Sempre procuro o ministro, mas numa necessidade, eu falo
diretamente com o primeiro escalão daquele ministro", afirmou.
De acordo com Bolsonaro, o delegado Maurício
Valeixo estaria cansado e a troca no comando da PF foi conversada com
Sergio Moro. "Conversando ontem com o Moro, entre muitas coisas, até que
chegou na questão Valeixo, e eu falei que está na hora de botar um
ponto final nisso. Ele está cansado, está fazendo como pode o seu
trabalho. Pessoalmente, não tenho nada contra ele. Conversei poucas
vezes com ele durante um ano e quatro meses, sim, poucas vezes, mas
conversei com ele, e a maioria das vezes estava o Sergio Moro do lado.
Então, falei que no dia de hoje o Diário Oficial publicaria a exoneração do senhor Valeixo. E pelo que tudo indicava, uma exoneração a pedido."
Em publicação no Twitter, após o
pronunciamento, o agora ex-ministro Sergio Moro voltou a afirmar que o
ex-diretor-geral da PF não pediu demissão do cargo. "De fato, o diretor
da PF Maurício Valeixo estava cansado de ser assediado desde agosto do
ano passado pelo Presidente para ser substituído. Mas, ontem, não houve
qualquer pedido de demissão, nem o decreto de exoneração passou por mim
ou me foi informado", postou.
No final da tarde, o Diário Oficial da União também trouxe, em edição extra, uma nova publicação da exoneração de Maurício Valeixo da PF, desta vez sem a assinatura eletrônica de Sergio Moro, que constava na primeira versão do decreto.
Vaga no STF
Bolsonaro disse ainda que Sergio Moro
condicionou a demissão de Maurício Valeixo a uma indicação para a vaga
de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). "Já que ele falou em
algumas particularidades, mais de uma vez o senhor Sergio Moro disse pra
mim: você pode trocar o Valeixo sim, mas em novembro, depois que o
senhor me indicar para o Supremo Tribunal Federal. Me desculpe, mas não é
por aí. Reconheço as suas qualidades, em chegando lá, se um dia chegar,
pode fazer um bom trabalho, mas eu não troco. Outra coisa, é
desmoralizante um presidente ouvir isso".
Sobre esse trecho, no Twitter, o ex-ministro
escreveu: "A permanência do Diretor Geral da PF, Maurício Valeixo,
nunca foi utilizada como moeda de troca para minha nomeação para o STF.
Aliás, se fosse esse o meu objetivo, teria concordado ontem com a
substituição do Diretor Geral da PF".
Matéria ampliada às 19h33
Fonte: Agência Brasil
Edição: Juliana Andrade
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