Quinta 25/11/21 - 18h19
BC: cenário econômico é de retomada nas cinco regiões do país
Ritmo de recuperação é menos intenso que o previsto inicialmente
BC: cenário econômico é de retomada nas cinco regiões do país
Ritmo de recuperação é menos intenso que o previsto inicialmente
O
cenário da economia no terceiro trimestre do ano é de retomada da
atividade em todas as regiões do país, de forma menos intensa e
concentrada no setor de serviços, segundo análise do Boletim Regional,
divulgado ontem(24) pelo Banco Central.
O boletim, que apresenta
as condições da economia nas cinco regiões do país, diz que esse
comportamento da economia tende a favorecer as economias do Nordeste e
Sudeste.
Sudeste
No Sudeste, a atividade econômica continuou
em expansão no terceiro trimestre, favorecida pela recuperação do setor
de serviços, com o avanço da vacinação contra a covid-19 e menor efeito
da pandemia na região. Todos os segmentos de serviços apresentaram
abertura de vagas, com destaque para atividades administrativas e
serviços complementares, alojamento e alimentação.
Por outro
lado, o boletim aponta que o comércio varejista, após vários meses de
relativa estabilidade, registrou retração mais pronunciada a partir de
agosto, encerrando o terceiro trimestre com variação negativa,
refletindo o possível deslocamento da demanda para serviços.
Em
relação à Indústria, dificuldades para a obtenção de insumos e os preços
de algumas cadeias produtivas, especialmente a automotiva, contribuíram
para a queda da produção no terceiro trimestre. Houve retração em
quinze dos 22 setores pesquisados, com destaque para fabricação de
outros produtos de transporte (11,7%) e veículos (8,4%).
Com
isso, no trimestre, o índice de atividade econômica da região variou
0,4%, após expansão 0,8% no período anterior. Segundo o BC, os
indicadores apontam para acomodação da atividade econômica no Sudeste,
no quarto trimestre.
“Pressões de custos e falta de insumos em
setores da indústria, com ênfase no segmento automotivo, têm efeitos
negativos sobre a produção fabril. Em sentido contrário, o avanço da
vacinação favorece a continuidade da recuperação dos segmentos de
serviços mais impactados pela pandemia, sobretudo os direcionados às
famílias”, diz o boletim.
Nordeste
No Nordeste, o crescimento
econômico no trimestre encerrado em setembro foi liderado pelos
serviços, destacando-se os prestados às famílias e transportes, em
ambiente de recuperação gradual da mobilidade das pessoas e de ligeira
melhora no mercado de trabalho.
“O contexto de arrefecimento da
pandemia e melhora da confiança refletiu-se em maior dinamismo de
atividades que dependem de interação social, como os serviços prestados
às famílias e as relacionadas ao turismo, que têm maior
representatividade no Nordeste”, diz o boletim.
Também houve um
cenário de recuperação parcial da indústria de transformação, após
retrações nos dois trimestres anteriores. Com isso, o índice de
atividade econômica da região expandiu 0,5% no período em relação ao
anterior, quando cresceu 0,8% na mesma base de comparação.
Centro-Oeste
O
Centro-Oeste registrou crescimento mais moderado no terceiro trimestre,
influenciado principalmente pelos efeitos da menor produção de milho e
cana-de-açúcar. O resultado positivo foi sustentado pela expansão do
comércio, da construção civil e dos serviços de alojamento e
alimentação, repercutindo os efeitos do avanço na vacinação.
Nesse
contexto, o índice de atividade econômica da região cresceu 0,7% no
terceiro trimestre de 2021, em relação ao trimestre anterior (2,3%),
segundo dados dessazonalizados. No acumulado de doze meses, o indicador
expandiu 2% em setembro (0,8% no mesmo mês de 2020).
O boletim
aponta ainda que a safra recorde de grãos não deve se repetir no ano de
2021 em decorrência das condições climáticas adversas, principalmente da
estiagem prolongada a partir de fevereiro, que provocou queda
significativa nas colheitas de milho, algodão e cana-de-açúcar.
“A
economia do Centro-Oeste manteve trajetória de crescimento, com
oscilações relacionadas ao desempenho do agronegócio. A perspectiva de
safras recordes de commodities agrícolas em 2022 continua sendo
importante variável de sustentação para a região, com desdobramentos em
outras atividades”, diz o documento.
Norte
A Região Norte não
repetiu o bom desempenho observado no trimestre anterior. Segundo o
boletim, o recuo refletiu a desaceleração na indústria e no comércio,
impactados pela limitação da oferta de insumos na cadeia produtiva. O
índice de atividade econômica da região recuou 1% no terceiro trimestre
do ano, influenciado pelas retrações no Amazonas (-3,1%) e Pará (-0,9%).
Segundo
o boletim, no setor de serviços, apesar do arrefecimento da intensidade
da recuperação na margem, o setor registrou expansão no terceiro
trimestre, com aumento em quatro estados. A produção industrial da
região acompanhou o que ocorreu na indústria nacional e também registrou
contração no trimestre. A indústria geral recuou 1,5% no período.
Já
as vendas do comércio reverteram crescimento assinalado no segundo
trimestre. Com isso, o Norte encerrou o terceiro trimestre com recuo de
0,7% no comércio ampliado (9,7% no segundo trimestre), com quedas em
cinco dos sete estados da região.
O boletim aponta, contudo, para
um crescimento do faturamento do varejo, em maior proporção nos setores
de alimentação e combustíveis. A expectativa para a região é que, no
quarto trimestre, o desempenho do setor melhore, impulsionado pelas
vendas de final de ano, com a Black Friday e o Natal.
Sul
A
Região Sul assinalou desaceleração do processo de crescimento, com
indicadores da produção industrial e do comércio abaixo do esperado. Com
isso, o índice de atividade econômica no terceiro trimestre recuou
0,7%, após quatro intervalos consecutivos de alta. O setor industrial
foi o quem mais contribuiu para a retração da atividade econômica, em
razão de problemas com a normalização da cadeia de suprimentos, além dos
estoques reduzidos e custos elevados.
O resultado do terceiro
trimestre confirmou a recuperação do setor de serviços, que expandiu
pelo quinto período em sequência, mitigando a retração da atividade
econômica. Todos os segmentos registraram alta, sobretudo os destinados
às famílias e os que envolvem contato pessoal. A avaliação é de que a
trajetória deve persistir no final de ano.
Segundo o boletim, a
atividade econômica do Sul tem evoluído de forma assimétrica ao longo do
ano, com destaques positivos para a indústria e produção agrícola no
primeiro trimestre e para o comércio e a construção civil no segundo. A
avaliação é de que “a normalização da cadeia de suprimentos industriais,
incluídos semicondutores para o setor automotivo e insumos agrícolas,
especialmente defensivos, é essencial para garantir dinamismo adicional à
economia do Sul.”(Agência Brasil)
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