- 01/01/2018 18h19
- Brasília
Maiana Diniz – Repórter da Agência Brasil
Durante entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (1°), em
Natal, no Rio Grande do Norte, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, fez
um balanço da atuação das Forças Armadas no estado nos últimos três
dias e disse que o quadro de violência que aterrorizou a população
potiguar nas últimas semanas, desde o início da greve de policias
militares, civis e bombeiros, está sob controle.
“Todos os
indicadores, seja de morte, roubo, assalto, seja o que for, todos caíram
verticalmente. Ou seja, o que nós prometemos ao povo do Rio Grande do
Norte, nós entregamos”, disse Jungmann.
Desde o início da
paralisação, no dia 19 de dezembro, até a manhã de domingo (31), 94
mortes violentas haviam sido registradas no estado, a maioria na região
metropolitana de Natal e Mossoró. Somente na última sexta-feira (29),
antes do início da Operação Potiguar III, das Forças Armadas, 18 mortes
foram contabilizadas.
No dia 30, já com os militares na rua, o
número caiu para 11. No dia 31, foram duas mortes. E após quase duas
semanas registrando recordes nos índices de violência, o Rio Grande do
Norte teve uma noite de réveillon considerada tranquila.
Na
madrugada desta segunda-feira, uma morte foi registrada. “Se existiam
qualquer dúvidas sobre o desempenho e a capacidade do comprometimento
das Forças Armadas, aqui está um retrato. […] Ontem na praia, havia
milhares de pessoas participando da festa. Aquela quantidade [de gente]
foi às ruas porque se sentia segura. É um evento de proporções enormes,
permeado pelo consumo de bebidas, de fato, e considerando as dezenas de
milhares de pessoas que participaram do ano novo, o resultado foi de
fato excelente”, avaliou o ministro.
O chefe do Estado Maior das
Operações Guararapes, chamada de Potiguar III, tenente coronel Igor
Pasinato, informou que 2,8 mil homens do Exército, Marinha e Força Aérea
de fora do Rio Grande do Norte estão atuando no estado em um sistema de
rodízio nos últimos três dias. Foram realizadas cerca de 380 ações,
como patrulhamentos, rondas e proteção de eventos no período. Na noite
da virada do ano, havia entre 90 e 100 viaturas com militares nas ruas.
Greve
Durante
a entrevista, o ministro da Defesa fez um apelo aos policiais
potiguares para que retornem ao trabalho, apesar de reconhecer as
dificuldades que estão enfrentando. Policiais militares, civis e do
Corpo de Bombeiros estão em greve desde o dia 19 de dezembro pelo
recebimento de salários atrasados de novembro, dezembro e o décimo
terceiro, e pela melhoria das condições de trabalho.
A pedido do
governo do estado, as Forças Armadas foram enviadas ao RN para controlar
a escalada de violência registrada desde o início da paralisação.
Ontem
(31), o desembargador Claudio Santos, do Plantão Judicial do Tribunal
de Justiça do Rio Grande do Norte, determinou que policiais militares,
civis e do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte que incentivarem a
continuidade da paralisação dos serviços de segurança pública no estado
poderão ser presos.
No sábado (30), uma decisão judicial
autorizou o governo estadual a usar R$ 225 milhões recebidos do Fundo da
Saúde, entre outros recursos, para quitar os salários atrasados dos
agentes.
O ministro destacou que apesar do sucesso da atuação das
Forças Armadas, essa é uma situação “extraordinária que não pode
perdurar”, e que cabe ao governo estadual resolver a situação e garantir
a segurança pública.
“As Forças Armadas não podem ficar
permanentemente nem aqui e nem em nenhum outro estado, primeiro porque a
Constituição não permite, existe um prazo em que podemos permanecer em
função de situações extraordinárias. Em segundo lugar, o custo é muito
elevado. Nós sabemos que existem outros custos, sem sombra de dúvidas,
mas essa é uma atribuição do estado do Rio Grande do Norte e compete ao
estado restaurar de forma permanente e de acordo com suas atribuições
constitucionais a segurança devida as potiguares", disse o ministro
Edição: Denise Griesinger
Fonte: Agência Brasil
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