- 02/01/2018 18h17
- Brasília
Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil
Policiais civis do Rio Grande do Norte decidiram
continuar trabalhando em regime de plantão, com paralisação de alguns
serviços, pelo menos até as 8h de amanhã (3), quando se apresentarão na
Delegacia Geral (Degepol) para definir os rumos da mobilização iniciada
em 19 de dezembro em protesto contra o atraso no pagamento de salários.
Com
a decisão, aprovada hoje (2) à tarde em assembleia, parte dos serviços
ao público continuará suspensa nos 15 distritos policiais da Grande
Natal, contrariando a decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do
Norte (TJ-RN), que determinou que bombeiros, policiais militares e civis
de todo o estado retornem ao trabalho sob pena de multa diária de R$
100 mil a ser aplicada às entidades representativas das categorias.
Além
da previsão de multa, o desembargador do TJ-RN Claudio Santos também
determinou a prisão em flagrante dos agentes da segurança pública que, a
partir da publicação da sua decisão, “promoverem, incentivarem,
estimularem ou colaborarem, por qualquer meio de comunicação, para a
continuação da greve no sistema de segurança pública do Rio Grande do
Norte, pelo cometimento de crimes de insubordinação, motim (PM) ou
desobediência”. A decisão do tribunal foi tomada no último domingo (31).
Saiba Mais
Até
o fim da assembleia desta tarde, o Sindicato dos Policiais Civis e
Servidores da Segurança Pública (Sinpol-RN) informou que não havia sido
oficialmente notificado da decisão judicial. De acordo com a assessoria
do sindicato, a categoria não está em greve e decidirá os rumos da
mobilização amanhã após se colocar à disposição da diretoria da Polícia
Civil.
Por força da decisão judicial, os policiais militares começaram a voltar
a patrulhar as ruas de Natal e região metropolitana na manhã de hoje. O
retorno, no entanto, é gradual, pois segundo a assessoria da PM, o
efetivo voltará às ruas na medida em que houver viaturas em condições de
uso. O mau estado de parte da frota de veículos é um dos motivos da
paralisação dos policiais militares, ao lado dos atrasos nos salários e
da falta de condição de uso dos equipamentos de proteção.
Reforço na segurança
Em
função do impasse com as forças policiais, o governo do Rio Grande do
Norte transferiu o controle dos órgãos de segurança pública estaduais para o Exército
no último sábado (30). Na véspera, o governo federal havia autorizado o
envio de até 2,8 mil homens das Forças Armadas para garantir a lei e a
ordem em Natal e Mossoró, a segunda cidade mais populosa do estado.
De
acordo com o ministro da Defesa, Raul Jungmann, do início da
manifestação policial, em 19 de dezembro, até a manhã deste domingo
(31), 94 mortes violentas foram registradas no estado, a maioria na
região metropolitana de Natal e Mossoró. Somente na última sexta-feira
(29), quando os primeiros militares começaram a chegar para tomar parte
na Operação Potiguar III, ocorreram 18 homicídios.
Além dos
militares das Forças Armadas, agentes da Força Nacional também atuam na
segurança pública do estado: 120 já vinham apoiando os órgãos policiais
potiguares desde o ano passado. No último dia 21, o governo federal
autorizou o envio de mais 70 agentes para patrulhar as ruas da capital. E
no dia 28, mais 30 agentes da Força Nacional foram autorizados a
reforçar a ação da tropa especial para suprir a ausência dos policiais
potiguares.
Edição: Luana Lourenço
Fonte: Agência Brasil
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