Estudo analisou, dentre outras questões, a proporção de
anticorpos da população brasileira em relação ao coronavírus, que chegou
a 3,8% do público entrevistado na terceira fase
O maior estudo sobre a Covid-19 no Brasil, “Evolução da Prevalência
de Infecção por Covid-19 no Brasil: Estudo de Base Populacional”,
financiado pelo Ministério da Saúde, foi concluído e trouxe informações
importantes sobre a evolução da doença no país. O estudo foi coordenado
pelo Centro de Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
com a proposta de utilização dos resultados, pelo Ministério da Saúde,
na formulação de estratégias para o combate à pandemia, além de ações e
programas de prevenção.
Para a realização do inquérito, o Governo Federal disponibilizou 150
mil testes rápidos que detectam a presença de anticorpos IgM (de
infecção mais recente) e IgG (de infecção mais antiga) para o
coronavírus, a partir de amostras de sangue. A pesquisa entrevistou e
testou 89.397 pessoas em todas as regiões do país durante os meses de
maio de junho de 2020.
A coleta de dados foi feita por profissionais do Instituto Brasileiro
de Opinião Pública e Estatística (Ibope) nos domicílios de 133 cidades
espalhadas por todos os estados do Brasil. Houve três fases de coleta de
dados: a primeira fase ocorreu de 14 a 21 de maio, totalizando 25.025
(75,2%) entrevistas e testes; a segunda, entre os dias 04 e 07 de junho,
com o total de 31.165 (93,7%) entrevistas e testes; e a terceira, entre
os dias 21 e 24 de junho, totalizando 33.207 (99,9%) entrevistas e
testes.
Confira a íntegra do discurso do secretário-executivo, Elcio Franco:
O Ministério da Saúde financiou um dos maiores estudos de inquérito
epidemiológico do mundo. O resultado que a Universidade Federal de
Pelotas nos traz hoje é uma peça fundamental para dar informações
adicionais sobre comportamento do vírus.
Ainda precisaremos de outros elementos para compreender completamente
a dinâmica da doença no território e na transmissão entre pessoas, mas
certamente é uma contribuição do Brasil para a comunidade científica
internacional, e gestores e profissionais de saúde, na busca de soluções
adequadas para o enfrentamento ao coronavírus.
Gostaria de parabenizar a Universidade por esse compromisso com a
saúde pública, e, por meio dela, agradecer todos as pessoas que
estiveram envolvidas direta ou indiretamente com o estudo. Em especial, é
preciso dizer que, sem a participação dos entrevistados, não estaríamos
hoje divulgando essas informações.
O estudo traz dados de 133 cidades brasileiras, espalhadas pelo
território nacional. Embora não tenha o retrato do país, mostra áreas em
suas diferentes etapas de enfrentamento ao Covid-19. A média é de 3,8%
de infecção nesta última etapa, mas as taxas variam de Zero a 20% entre
as cidades analisadas, reforçando a necessidade de darmos respostas
diferenciadas para cada município no país.
De modo geral, a diferença entre o número de pessoas infectadas é
seis vezes maior do o número de casos notificados. Trata-se de algo
esperado, quando a maior parcela dos casos é leve ou assintomática, o
que deve ser ainda confrontado com outros estudos disponíveis visto que
outras estimativas apontaram um número maior para essa chamada
subnotificação.
Isso quer dizer que o estudo que estamos apresentando não é
definitivo em si. O objetivo é contribuir para a literatura
internacional e conhecimento da doença.
Da mesma forma, a taxa de mortalidade do estudo está próxima de 1%. O
valor é 75% menor do que obtemos com a notificação oficial, que chega a
mais de 4%, mas acima de taxas apontadas em outras literaturas
científicas. Assim, contribuiremos para melhor entender o enfrentamento
da doença com esses novos dados.
O professor Pedro Hallal pesquisador responsável pelo estudo, e
reitor da UFPel, esteve nos últimos dois dias conosco. Foram longas
horas de apresentação e debate sobre os resultados. Certamente muito
pode ainda ser extraído, em especial no que se refere a população mais
vulnerável.
Algo que foi questionado e merece uma análise mais profunda são as
situações de raça/cor. Nesse tema de autodeclaração, nos interessa
entender as referências como a de indígenas, percebendo que a coleta foi
realizada em área urbana.
Para esses indígenas autodeclarados na região urbana, o valor está
acima da média e precisamos verificar o contexto em que se dá a
informação e quais as influências socioculturais podem interferir na
coleta do dado. Hoje, esse tema não será abordo devido a essas análises
que precisamos fazer.
O dado que o professor nos traz hoje é referente a análise em relação
ao nível socioeconômico. O avanço da doença sobre os mais pobres mostra
o quão importante é oferecer assistência descentralizada. Em especial,
precisamos da adesão dos municípios aos centros comunitários, que
possibilitarão um atendimento mais próximo do cidadão e uma assistência
antes que a doença avance em sua gravidade. Precisamos proteger de forma
adequada essa parcela da sociedade.
Para mostrar a complexidade da análise que requer os números, o
estudo aponta que 91% dos infectados sentiu algum tipo de sintoma.
Novamente precisaremos entender como o dado foi captado, visto que
confronta outros estudos.
A maior prevalência diz respeito a alterações de olfato e paladar.
Compreender a dinâmica em que se dá a declaração de sintomas também nos
ajudará a aperfeiçoar os protocolos de atendimento, em especial reforçar
a assistência precoce.
Precisamos analisar os resultados por faixa etária e transmissão
entre crianças e adolescentes, para definir protocolos mais seguros de
volta as aulas. Demos uma boa lição de casa para professor.
Para encerrar a minha fala: estamos dando mais um passo importante
com esse estudo. O Brasil mostra mais uma vez o seu compromisso e desejo
de contribuir com o mundo em informações e respostas a doença. E temos
que fazer mais. Vamos analisar quais os próximos passos podem ser dados.
Para conferir a pesquisa, acesse: www.ufpel.edu.brPor Tinna Oliveira, da Agência Saúde
Atendimento à imprensa
(61) 3315- 3580 / 2351/ 3713
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